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Técnicas

Graduação de Moldes: Como Adaptar um Tamanho Para Outro

18 de junho de 2024

Graduação de Moldes: Como Adaptar um Tamanho Para Outro
Técnicas — Graduação de Moldes: Como Adaptar um Tamanho Para Outro

Uma das perguntas mais frequentes que recebo de costureiras que estão crescendo profissionalmente é: “Fiz o molde para o meu tamanho. Como faço para vender para outras pessoas?”

A resposta está na graduação de moldes — a técnica que permite escalar um molde base para diferentes numerações mantendo as proporções e o estilo da peça original.

O que é graduação

Graduar um molde é diferente de simplesmente aumentar ou diminuir. Se você amplia um molde proporcionalmente em todas as direções, o resultado é errado — porque o corpo humano não cresce dessa forma.

Uma mulher do tamanho 44 não é uma mulher do tamanho 38 ampliada uniformemente. Ela tem proporções diferentes: a distância de ombro a ombro não cresce na mesma proporção que a circunferência do quadril, por exemplo.

A graduação trabalha com incrementos diferenciados em cada ponto do molde, respeitando as proporções naturais de cada medida.

Os pontos de graduação

Cada peça do molde tem pontos específicos onde a ampliação ou redução acontece. Em um molde de frente básico, os principais são:

  • Centro frente: não se move (é um eixo de referência)
  • Lateral do busto: recebe a maior parte da diferença de circunferência
  • Ombro externo: ajustado para a largura de ombros
  • Decote lateral: pequeno ajuste proporcional
  • Cava: graduada em profundidade e largura simultaneamente

Tabelas de graduação

Para facilitar o trabalho, existem tabelas de graduação que indicam quanto cada ponto deve se deslocar para cada tamanho. As tabelas variam conforme o sistema de modelagem adotado (brasileiro, europeu, americano) e conforme o tipo de peça.

Para o mercado brasileiro, trabalho com a tabela NBR e faço ajustes baseados nas medidas reais das minhas clientes, porque a numeração brasileira é notoriamente inconsistente entre marcas.

Graduação manual vs. digital

Tradicionalmente, a graduação é feita com régua e compasso sobre papel — traçando cada tamanho a partir do molde base. É um processo preciso e que exige prática.

Hoje, softwares de modelagem como o Audaces e o TUKAcad fazem a graduação automaticamente a partir de uma tabela configurada. Ainda assim, o profissional precisa entender a teoria para validar os resultados e fazer correções quando necessário.

Um exemplo prático

Se o molde base está no tamanho 40 e preciso graduar para o 42, a diferença de busto é de 4 cm. Mas esses 4 cm são divididos entre as quatro partes do molde (dois frontes e dois dorsos), resultando em 1 cm por parte.

Desse 1 cm, uma parte vai para a lateral, outra pequena fração vai para o centro (se não for uma linha de dobra), e assim por diante — conforme a tabela de distribuição.

Parece complexo, mas depois de alguns projetos o raciocínio se torna intuitivo. Como quase tudo em modelagem.

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